sexta-feira, 23 de março de 2012

O livro “A Privataria Tucana”


O livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr foi lançado em 9 de dezembro de 2010 e deste então é um fenômeno de vendas, esgotou sua primeira edição em apenas 24h e está há 10 semanas entre os mais vendidos do país.

O livro é resultado de 10 anos de um minucioso trabalho investigativo sobre os bastidores da era das privatizações. O autor diz que todos os fatos narrados na obra estão reforçados em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no Ministério Público e na Justiça.

Podemos resumir o conteúdo do livro em 3 palavras: privatizações, escândalos e denúncias. A obra aponta supostas irregularidades nas privatizações ocorridas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e que amigos e parentes de José Serra mantiveram empresas nos paraísos fiscais movimentando milhões de dólares entre 1993 e 2003.

O título do capítulo 8 do livro: "O primo mais esperto de José Serra", refere-se a uma das denúncias contra José Serra e seu primo, o espanhol naturalizado brasileiro, Gregório Marin Preciado. Ele conta como se deu o perdão de uma dívida milionária de Gregório Preciado ao Banco do Brasil, no tempo de FHC, o apoio do banco estatal na privataria, a compra de 3 estatais por Preciado e os "altos negócios com um paraíso natural da Bahia". 

O primo de Serra conseguiu reduzir pouco mais de 109 vezes o valor da pendência com o Banco do Brasil, uma dívida de R$ 448 milhões passou para R$ 4,1 milhões.

Outro parente de Serra citado nas acusações é sua filha, Verônica Serra que, de acordo com o livro, foi sócia da empresária Verônica Dantas em uma empresa de prestação de serviços financeiros na internet. Verônica Dantas é irmã do banqueiro Daniel Dantas, proprietário até 2005 da antiga Brasil Telecom, empresa formada com a privatização da Telebrás.

Serra, por meio de sua assessoria, disse que o livro é: “uma coleção de calúnias que vem de uma pessoa indiciada pela Polícia Federal”.

FHC, também em nota, afirmou que a obra é: “uma infâmia”.

Ribeiro Jr. afirmou que o livro é uma “cartilha sobre lavagem de dinheiro” e trabalhou na obra do ano de 2000 até poucos dias antes da sua publicação. “Na época que comecei a apurar só se falava disso na imprensa”. O autor disse que seu interesse surgiu a partir das “lacunas que ficaram da história das privatizações” e que os documentos contidos na obra são todos “legais, obtidos na Justiça e no próprio Congresso Nacional.”

O currículo do Autor

Amauri Ribeiro Jr. é um jornalista investigativo, ganhador de 3 Prêmios Esso de Jornalismo, foi também vencedor por 4 vezes do Prêmio Vladimir Herzog e faz parte do ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Em 2007, quando trabalhava para o Correio Braziliense investigando homicídios ligados ao narcotráfico no entorno de Brasília, foi baleado numa tentativa de homicídio. Como o caso teve repercussão internacional o jornalista foi transferido para o jornal Estado de Minas, do mesmo grupo, e passou a dedicar-se a assuntos políticos, especializando-se no tema “lavagem de dinheiro”.

Trabalhou como jornalista na "Folha de São Paulo", foi repórter especial do jornal “O Globo” e da revista “Isto É”, além de ter se destacado no “Correio Braziliense” e no “Estado de Minas”, foi um dos fundadores da Abraji, entre outros.

Em 2010, o jornalista foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e por dar ou oferecer dinheiro ou vantagem à testemunha. Amaury negou as acusações e afirmou que "jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão". Segundo ele, todos os dados foram obtidos em juntas comerciais, paraísos fiscais e na CPI do Banestado, alegando a exceção de verdade

Alguns dos acusantes, como Ricardo Sérgio de Oliveira, Gregório Preciado dentre outros, possuem ação por quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico na 4ª Vara Federal de Brasília

Ribeiro Jr. foi acusado também pela Polícia Federal de ter violado o sigilo fiscal de dirigentes tucanos e de familiares de Serra. 

Em março de 2012, o jornalista foi detido e acusado de invadir uma propriedade da Igreja Mundial, em Rondonópolis. O repórter estava em Mato Grosso para fazer uma reportagem sobre uma fazenda adquirida pela igreja na cidade de Santo Antonio do Leverger. Não foi registrado Boletim de Ocorrência.

O livro é polêmico e fundamentado, mas a minha pergunta é: vamos continuar no silêncio? Ninguém vai fazer nada, como por exemplo, conferir a veracidade dos documentos apresentados? O Serra é pré-candidato a Prefeitura de São Paulo, não irão barrá-lo até que se prove ao contrário?
Perguntas e mais perguntas sem respostas ... até quando vamos ser o país dos tolos?

Quer ler mais informações sobre o pré-candidato a Prefeitura de São Paulo, José Serra? clique aqui

Alessandra

Fontes de Pesquisa:

2 comentários:

  1. Sou fã incondicional de Amaury Junior. Esclarcer com documentos comprovados a verdadeira face dos políticos é algo mercedor de prêmio máximo do jornalismo.Vou adquirir o livro. E José Serra ainda pensa em voltar a ser prefeito!
    Parabéns Amaury.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, que bom tê-lo novamente nos comentários das minhas matérias ...
      Adquira, leia e depois me conta o que achou, combinado ?
      Quanto ao Serra, pois é tudo indica que ele estará aí concorrendo a prefeitura da nossa cidade.
      Bom Final de Semana!

      Excluir

Deixe um comentário, uma sugestão ou crítica.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...