sábado, 26 de maio de 2012

O apêndice não serve para nada?


Você é daquelas que pensam que o apêndice não serve para nada e só causa problemas? É melhor começar a mudar de ideia.

 
Em setembro de 2007, um grupo de cirurgiões e imunologistas liderado pelo Dr. William Parker da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, publicou um trabalho que mostra o contrário: a função do apêndice é promover o crescimento populacional de bactérias benéficas para o nosso organismo e facilitar o repovoamento dessas bactérias no cólon.

O apêndice


O apêndice faz parte do sistema digestivo e está localizado logo no início do intestino grosso, conectado ao ceco (um divertículo natural com que se inicia o intestino grosso, e onde se abrem o íleo, o cólon e o apêndice). O apêndice é uma estrutura tubular fechada (bolsinha) na extremidade posterior e mede cerca de 5 a 10 cm de comprimento e 0,5 a 1 cm de largura. Na maioria das pessoas, o apêndice encontra-se no quadrante inferior direito do abdome.

Seu formato lembra o de um verme, por isso também é chamado de apêndice vermiforme. Uma outra analogia fácil é com um dedo de luva, como pode ser visto na imagem abaixo:

 
A parede do apêndice contém tecido linfático e participa na produção de anticorpos. O apêndice também serve como reservatório de bactérias intestinais que ajudam no processo de digestão, por essa região circulam nossas fezes ainda em estado bem pastoso. As fezes entram e saem do apêndice, mas como essa bolsinha é estreita, um bolinho de coco mais sólido, chamado de fecalito, pode obstruir a entrada do apêndice desencadeando o problema. A obstrução faz as células do apêndice incharem e torna as paredes internas do órgão mais permeáveis, permitindo a entrada de bactérias. Resultado: inflamação e a crise de apendicite

Apendicite: nome dado à inflamação do apêndice, quadro que se apresenta habitualmente como uma intensa dor abdominal. É, em geral, uma emergência médica que necessita de tratamento cirúrgico. Se não tratado a tempo, há risco de rotura e infecção generalizada.

A apendicite pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adolescentes e adultos jovens. As vítimas dessa inflamação são eleitas aleatoriamente. Uma alimentação balanceada, com bastante água e fibras, garante o bom funcionamento do intestino, mas não impede que alguém saudável venha a ter uma crise de apendicite.

Diz a lenda que sementes de uva e de mamão também poderiam provocar o problema: Mito. "Por serem muito pequenas, elas geralmente são expulsas com facilidade", diz o gastroenterologista Flávio Speinwurz, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Teorias sobre a função do apêndice


1ª Teoria – Argumenta que o apêndice humano auxilia o sistema imunológico. Ao examinarem microscopicamente o apêndice, os pesquisadores encontraram uma quantidade significativa de tecido linfoide, um tecido que apresenta uma quantidade abundante de linfócitos (tipo de glóbulo branco responsável por defender o corpo contra micro-organismos). O tecido linfoide está presente também em outras áreas do sistema digestivo. A função desse tecido ainda não é muito precisa, mas está claro que ele reconhece substâncias estranhas presentes nos alimentos ingeridos.

2ª Teoria – O apêndice funciona como um "lugar seguro" para bactérias que auxiliam na digestão. De acordo com os pesquisadores, as bactérias vivem no apêndice sem serem perturbadas, até que sejam necessárias nos locais onde ocorrem os processos de digestão. De acordo com o Dr. Parker, a forma do apêndice é perfeita para armazenar as bactérias benéficas. Ele possui um fundo cego e uma abertura estreita, impedindo assim o influxo dos conteúdos intestinais.

O sistema digestivo é povoado por diferentes micro-organismos que auxiliam na digestão dos alimentos. Em troca, os micróbios recebem nutrição e um lugar seguro para viver. O Dr. Parker acredita que as células do sistema imunológico encontradas no apêndice estão lá para proteger, e não para atacar, as bactérias benéficas.

O papel do apêndice no repovoamento da flora intestinal


Doenças como disenteria ou cólera contaminam o intestino. A única saída é se livrar dos micróbios maus. É aí que a diarreia ocorre. Em casos de diarreia severa, não só os micróbios maus são perdidos, mas tudo o que se encontra no interior do intestino, inclusive o que é conhecido como biofilme (uma camada fina e delicada, constituída de micróbios, muco e moléculas do sistema imunológico).

Quando ocorre perda do conteúdo intestinal, as bactérias benéficas escondidas no apêndice emergem e repovoam a camada de biofilme do intestino, antes que bactérias maléficas se instalem.

Segundo o Dr. Parker, pessoas que, porventura, tiveram seu apêndice extraído e vivem em locais onde as incidências de doenças como cólera e disenteria são altas, têm menos chances de sobreviver, pois não têm mais um lugar seguro para armazenar as bactérias benéficas.

Deve-se evitar a retirada do apêndice?


O apêndice normalmente produz um volume constante de muco que é drenado para o ceco e se mistura nas fezes. O seu grande problema é ser a única região de todo o trato gastrointestinal que tem um fundo cego, ou seja, é um tubo sem saída, como um dedo de luva. Qualquer obstrução à drenagem do muco faz com que o mesmo se acumule, causando dilatação do apêndice. Conforme o órgão vai ficando maior, começa a haver compressão dos vasos sanguíneos e necrose da sua parede. O processo pode evoluir até o rompimento do apêndice, o que é chamado de apendicite supurada.

Quando o apêndice fica obstruído e inflamado, as bactérias que vivem no interior dos intestinos conseguem atravessar a sua parede e alcançar a circulação sanguínea e o peritônio (membrana que recobre todo o trato intestinal). Este processo é chamado de translocação bacteriana e é responsável por grande parte dos sintomas da apendicite.

A cirurgia é imediatamente indicada naqueles casos com menos de 3 dias de evolução. Nos casos onde o paciente demora a procurar atendimento, a inflamação pode estar tão grande que dificulta a ação do cirurgião, aumentando o risco de complicações. Nestes casos, se a tomografia computadorizada demonstrar presença de muita inflamação ao redor do apêndice, com formação de abscesso, pode ser preferível tratar a infecção com antibióticos por algumas semanas antes de levá-lo para cirurgia.

"Se passar mais de três dias, há risco de ele estourar e causar uma infecção generalizada", afirma a gastroenterologista Mariza Kobata, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O tratamento cirúrgico pode ser feito de modo tradicional e ou pela laparoscopia. A via laparoscópica é preferida em pessoas obesas, idosos e quando o diagnóstico ainda não é 100% certo na hora da cirurgia.

Apesar da importante função proposta pela equipe de cientistas da Universidade de Duke, não se deve esquecer que o apêndice tem o seu lado vilão. Ao sofrer inflamação, ele pode levar à obstrução dos intestinos, causando a apendicite aguda, que pode levar à morte. Portanto, nesse caso, ele deve, sim, ser retirado. Mas não se preocupe, pois as infecções severas, por cólera ou disenteria, são raras em nações ou regiões industrializadas. As pessoas que habitam esses locais podem viver normalmente sem o apêndice.

Sintomas da apendicite

Como em qualquer doença, o diagnóstico começa pela avaliação dos sinais e sintomas, através uma avaliação clínica, do exame físico, exames laboratoriais (leucocitose), raios X e ultrassonografia, porém, em fases iniciais, quando há somente a distensão do apêndice ainda, sem intensa inflamação ao seu redor, os sintomas podem ser muito vagos e a dor pode ser difusa, normalmente localizada na região do estômago ou em volta do umbigo.

Os dois exames mais solicitados são a ultrassonografia e a tomografia computadorizada, sendo esta última a mais indicada em casos duvidosos ou com suspeitas de complicações.

Na fase inicial, também se pode apresentar mal-estar geral e febre baixa; já em fases avançadas são sintomas comuns: náuseas, vômitos, febre, diarreia ou prisão de ventre.

O apêndice é muito pouco inervado e sua inflamação isolada é mal percebida pelo cérebro. Somente quando o peritônio, este sim rico em terminações nervosas, fica inflamado é que o cérebro consegue identificar mais precisamente a região afetada. O quadro típico é de uma súbita dor ao redor do umbigo que vai ficando mais intensa conforme se dirige para o quadrante inferior direito.

Quando a inflamação e a distensão levam à perfuração do apêndice, ocorre uma peritonite (inflamação do peritônio). O paciente com peritonite apresenta intensa dor e o abdômen costuma ficar duro como uma pedra e o paciente sente dor com estímulos simples como pisar no chão ou mudar de posição.

Casos típicos de apendicite, principalmente se avaliados por médicos experientes, podem ser diagnosticados sem maiores dificuldades, mas atualmente é muito comum e fácil solicitar exames de imagem para confirmação do diagnóstico, assim como também é muito fácil deparar-se com “médicos estagiários” que nem te examinam e dizem que é virose ou gazes.

Fiquem sempre atentos e na dúvida procure sempre um médico de sua confiança para avaliar melhor seu estado.

Até a próxima!

Alessandra

Obs.: Esta matéria é dedica a minha prima Livia que foi internada e operada nesta quinta-feira (24/05) em pleno dia do seu aniversário. Fique bem logo!

Fonte de Pesquisa:

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